O SUS E SUA ÚLTIMA CHANCE

Por Francisco Batista Júnior, 56, farmacêutico, integrante do Conselho Nacional de Saúde, que presidiu de novembro de 2006 a fevereiro de 2011. Artigo publicado no jornal Folha de São Paulo de 22/03/2011.
Nenhuma das vertentes que reivindicam para si o diagnóstico das dificuldades que o SUS (Sistema Único de Saúde) enfrenta tem, na verdade, entrado no debate central.
Afinal, a questão é muito mais grave e envolve, além do financiamento e gestão, o modelo de atenção, a relação público-privado, a força de trabalho, o controle social e a impunidade, que é a regra.
Contra-hegemônico, a principal e mais poderosa ameaça à histórica e predadora ação patrimonialista do Estado brasileiro, tudo vem sendo feito para evitar sua plena consolidação. Pensado como política de Estado que deveria ser imune aos governos, o SUS tem sido desconstruído por políticas absolutamente dessintonizadas de seus princípios e arcabouço jurídico.
Desde a contratação de serviços, dos mais simples aos mais especializados, em substituição ao público, passando pela intermediação de mão de obra por meio de empresas e cooperativas, até a entrega da própria gestão dos serviços públicos a grupos privados, tudo no sistema foi transformado num grande e privilegiado balcão de negócios, as “parcerias”, para atendimento dos mais variados interesses.
Essa é a raiz dos escândalos que assolam o país, sob silêncio assustador dos que deveriam zelar pelo cumprimento das regras do jogo, como o Ministério da Saúde e o Poder Judiciário.
Se quisermos resgatar a proposta mais includente e democrática, o Ministério da Saúde deve ter uma orientação única, sintonizada com a estrita obediência aos princípios do SUS, não cabendo sob qualquer hipótese acordos ou conchavos que visem a acomodação de diferentes grupos e/ou interesses políticos.
Com a frágil estrutura que caracteriza a maioria dos nossos municípios, é urgente uma participação maior dos entes estaduais e federal, por meio de um financiamento adequado e pactuado de acordo com as suas reais necessidades, e uma cooperação técnica que permita a superação dos limites que decorrem da insuficiente capacitação de um número razoável de gestores, com ênfase absoluta na atenção básica.
É preciso que haja profissionalização e democratização da gestão, bem como a autonomia administrativa e orçamentária dos serviços, com a finalidade de combater a ingerência político-partidária, exercida por meio das OS (Organizações Sociais), Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) e fundações.
Outra medida é a criação do serviço civil em saúde e da carreira única do SUS para todos os profissionais, valorizando a qualificação, a interiorização, o tempo de serviço e a dedicação exclusiva. Tais ações serão fundamentais na estruturação da rede pública, superando a absoluta dependência dos onerosos serviços contratados, ampliando em consequência a oferta e o acesso aos serviços.
Por fim, o respeito às decisões, a soberania e a autonomia dos Conselhos de Saúde e o combate sem tréguas à impunidade promoverão o definitivo salto de qualidade necessário à afirmação plena do sistema. Para nós, o SUS pode ter sua última chance, a depender da decisão política adotada.

Conflito de interesses marca pesquisas sobre menopausa

A maioria dos estudos favoráveis à terapia de reposição hormonal para tratamento da menopausa foi escrita por autores que têm ligações com a indústria de remédios.


Significa que pesquisadores pró-reposição declararam ter recebido pagamentos de laboratórios por palestras ou financiamento de estudos.


É o que revela uma revisão de 50 pesquisas sobre a terapia, publicadas por dez autores entre 2002 e 2006.


O período foi escolhido por causa da publicação do estudo Women Health’s Initiative, em 2002, mostrando que a reposição aumenta riscos de câncer da mama e de doenças cardiovasculares.


Oito dos dez autores afirmaram ter recebido pagamentos da indústria. Dos 50 artigos analisados, 32 foram considerados favoráveis à terapia, entre os quais 30 foram escritos por autores com conflitos de interesse.


A análise foi feita por pesquisadores do Georgetown University Medical Center, em Washington, e publicada no “PLoS Medicine”.


Segundo uma das autoras, a médica e professora de farmacologia da Georgetown University Adriane Fugh-Berman, tons promocionais em relação a drogas devem ser vistos com desconfiança.


“Promoção, em geral, é inconsistente com ciência. Pode significar uma influência do marketing da indústria sobre o artigo, mas isso é difícil de provar”, disse ao site.


César Fernandes, presidente da comissão de climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetricia, diz que médicos devem ligar o “desconfiômetro” para esses estudos.


“É óbvio que há marketing agressivo das farmacêuticas, elas querem influenciar os médicos”, diz Fernandes.


A existência dessas relações e as conclusões da revisão, porém, não desqualificam autores sérios nem colocam a eficácia do tratamento à prova, segundo Fernandes.


“Não estamos falando de pesquisadores irrelevantes. Será que não são os médicos mais consultados pelas empresas por suas contribuições para a literatura?”


Já Berman diz que eles são selecionados para palestras e consultorias porque o que dizem apoia a mensagem da indústria. “A indústria cria um falso consenso na comunidade médica porque vozes racionais são abafadas.”


Mauro Haidar, chefe do setor de climatério da Unifesp, diz:”Se pensarmos assim sobre conflitos de interesse, não tem congresso. E há de ter a mesma desconfiança em relação a outras drogas.”


SOB MEDIDA


Alguns dos argumentos presentes nos estudos favoráveis dizem que os testes clínicos não devem guiar tratamentos individuais.


É o que pensa Fernandes. “Medicina não é feita no atacado, e sim caso a caso. Não é prêt-à-porter, é alta costura.”


Segundo ele, é preciso pesar a história da paciente, gravidade dos sintomas e prós e contras do tratamento.


“Nenhum remédio é bonzinho. Sempre há riscos, mas eles têm que ser informados”, diz Fernandes.


Para a autora da pesquisa, a reposição só é útil se os sintomas da menopausa forem muito incômodos. “Funciona bem para algumas, mas deve ser usado apenas em casos graves, ou os riscos superam benefícios.”
FONTE: ANJF

Os perigos da automedicação contra a disfunção erétil VIAGRA (SILDENAFILA)

Quando o Viagra foi lançado, há pouco mais de cinco anos, quem quisesse comprá-lo precisaria apresentar receita médica. O cuidado se justificava. Aliás, ainda deveria ser válido. Apesar de não haver estatísticas que apontem dados sobre o uso do Viagra sem indicação médica, o problema já é levantado por especialistas da área. “As drogas contidas nos medicamentos que combatem a disfunção erétil podem causar sérios danos à saúde do paciente caso o mesmo apresente certas patologias ou ingira determinadas substâncias químicas, como o nitrato, por exemplo”, alerta o urologista Valter Honji.
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelam que o Viagra (sildenafil) é hoje o medicamento que mais fatura no Brasil. De julho de 2001 a julho de 2002, a droga faturou cerca de R$ 156 milhões. O Tylenol ficou com a segunda posição, apontando um faturamento de R$ 122 milhões.
A venda das drogas que tratam da disfunção erétil se banalizou. “Analise o marketing dos laboratórios para esses produtos”, sugere o Dr. Honji. “São peças publicitárias voltadas à comunidade leiga, veiculados em televisão e revistas de, praticamente, toda e qualquer natureza”, afirma.
A questão chegou a tal ponto que até mesmo um programa de auditório – conhecido pelas polêmicas levantadas em tom de palhaçada -, exibido por uma rede de televisão brasileira, promove um teste para saber qual dos três medicamentos (Viagra, Levitra ou Cialis) tem melhor resultado. “É lamentável”, comprova o urologista. “Infelizmente, só haverá mudança nesse cenário quando ocorrer alguma fatalidade”.
Essa realidade começa a mudar. No último 24 de julho, a Anvisa divulgou a proibição, em todo o território nacional, de propagandas institucionais que façam referência a medicamentos ou tratamentos para disfunção erétil. Essa ação abrange os três fabricantes desses produtos: Eli Lilly do Brasil, Bayer S.A. e Pfizer. Segundo Cláudio Maierovitch, diretor da agência, “a análise do desempenho de vendas de tais produtos demonstra um crescimento surpreendente, principalmente do mais antigo deles, o Viagra”. Baseado nesse dado, Maierovitch acredita que isso constitua em forte indício de que tem havido estímulo ao uso inadequado do medicamento.
Drogas contra disfunção erétil não surtem efeito em jovens saudáveis
É possível turbinar a performance sexual de um jovem saudável com o uso de drogas utilizadas para tratar pacientes com disfunção erétil? A resposta é não. Quem afirma é o urologista Valter Honji. “Eles podem até ter um desempenho melhor ingerindo a medicação, mas não passará de um simples condicionamento psicológico”, afirma.
As drogas que agem na vasodilatação peniana só são eficazes em pessoas que tiveram problemas vasculares ou doenças de base. “Em indivíduos saudáveis, esses medicamentos não são capazes de aumentar a potência sexual”, explica o urologista. A maioria dos casos de problemas sexuais envolvendo jovens está relacionada a distúrbios comportamentais que podem, inclusive, causar a chamada disfunção erétil psicogênica. Quando a situação é diagnosticada, o tratamento é feito através de Psicoterapia.
Um problema que gera essa conduta nos jovens é o medo de ser considerado sexualmente inferior. “Recentemente, atendi um paciente com 20 anos, preocupado porque não conseguia ter mais de três relações seguidas com sua namorada”, conta o Dr. Honji. “Quando expliquei que para sua idade essa média era considerada boa, o jovem argumentou que os amigos contavam que em uma única transa, conseguiam entre oito e nove ejaculações”. Segundo o urologista, o que existe entre os jovens é uma crença negativa em avaliar o desempenho sexual através da quantificação. “Costumo dizer que performance sexual é como salário: todo mundo tende a dizer um pouco mais que a verdade”, ironiza.
FONTE: Paraná On Line

Medicamentos levam 700 mil americanos por ano aos hospitais

A cada ano, cerca de 700 mil americanos são hospitalizados após a ingestão de medicamentos, legais ou ilegais, segundo um novo estudo. E os custos desse atendimento atingem quase 1,4 mil milhões de dólares – somente em custos de pronto-socorro.

O estudo, publicado na edição de Março do The American Journal of Emergency Medicine, baseou-se em dados da Amostragem Nacional do Departamento de Emergência de 2007, um banco de dados do governo dos EUA que inclui informações de 27 milhões de visitas a 970 pronto-socorros, em 27 estados do país.
Crianças menores de seis anos apresentaram taxas mais altas de visitas à emergência com intoxicação acidental por medicamentos, mas a maioria das visitas foi por precaução, disse o principal autor do estudo, Gary Smith, director do Centro de Pesquisa e Directrizes de Ferimentos do Hospital Infantil de Columbus, em Ohio: as crianças não ingeriram níveis tóxicos de medicações.
A intoxicação por remédios é uma epidemia cada vez mais rural: a incidência em áreas rurais foi três vezes maior do que noutras regiões.
Os problemas do abuso de medicamentos aumentaram durante a última década. Um número crescente envolve remédios receitados, especialmente analgésicos opiácios como metadona, oxicodona e hidrocodona – que, segundo Smith, estão a ser prescritos em quantidades recorde. Em 2007, o ano estudado, anti-depressivos e medicações para dor foram responsáveis por 44% das visitas às emergências por intoxicações relacionadas com remédios.
FONTE: Diário Digital

RECEITA SIMPLES PODE SER USADA PARA COMPRA DE ANTIBIÓTICOS

Basta o receituário ser emitido em duas vias. Nova regra exige que uma via seja retida no ato da compra

Os receituários comuns podem continuar sendo utilizados por médicos e dentistas para a prescrição de antibióticos, desde que sejam feitas receitas em duas vias (carbonadas, fotocopiadas ou impressas). Não é preciso usar a receita de controle especial.
A ressalva foi feita pelo presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Dirceu Raposo de Mello.
Uma nova regra para venda de antibióticos havia entrado em vigor dia 29 de novembro e obriga farmácias a reter receitas de antibióticos. Isso tornaria necessário o uso de receituários especiais, emitidos em vias duplas.
Mas o presidente da Anvisa esclareceu que essa interpretação da medida estava errada. Receituários simples, em duas vias, são suficientes para a venda dos medicamentos.
PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. Qual é, afinal, o modelo de receita para venda de remédios antimicrobianos?

A resolução não estabeleceu um modelo específico, indicando apenas as informações mínimas obrigatórias. A receita deve ter:
o nome do medicamento ou da substância dosagem ou concentração,e quantidade; nome do profissional com sua identificação profissional, endereço, telefone, assinatura e marcação gráfica (carimbo); identificação do usuário; identificação do comprador; data da emissão e identificação do registro de dispensação. A receita deve ter duas vias -uma ficará retida na farmácia e a segunda deve ser devolvida ao paciente como comprovante do atendimento.

2. Qual a validade da receita?

Dez dias em todo território nacional.

3. O médico poderá prescrever diferentes medicamentos na mesma receita?

Não há limites de quantos medicamentos diferentes podem ser prescritos em uma única receita. Porém, a receita deve ser usada uma única vez.

4. Existe uma quantidade máxima de unidades que podem ser vendidas por receita?

Não. A quantidade deve estar de acordo com a prescrição.

5. As farmácias e drogarias poderão vender esses remédios por meio remoto?

Somente farmácias e drogarias abertas ao público, com farmacêutico responsável presente durante todo o horário de funcionamento, podem realizar a dispensação de medicamentos solicitados por meio remoto como telefone, fac-símile (fax) e internet. É imprescindível a apresentação, avaliação e retenção da receita pelo farmacêutico para a dispensação desses medicamentos, mesmo solicitados à distância.

6. A venda poderá ser feita em quantidade maior ou menor que a prescrita na receita?

A venda, sempre que possível, deve atender exatamente à quantidade receitada. No caso da inexistência de embalagem fracionável ou que não contemple exatamente o tratamento prescrito, poderá ser vendida a embalagem imediatamente superior em quantidade.

Por que faz mal segurar o xixi?

Se você costuma adiar a vontade de ir ao banheiro por preguiça, está na hora de mudar esse mau hábito. Reter a urina por um tempo prolongado pode trazer sérios problemas de saúde, como o aumento do risco de infecção urinária.
Segundo o urologista Maurício Hachul, da Unifesp, em entrevista à revista VIDA SIMPLES, essa atitude eleva a concentração de resíduos na bexiga , como ureia, cloreto de sódio (sal) e ácido úrico, que se tornam tóxicos após muito tempo retidos no organismo. Esse quadro propicia então a proliferação de bactérias no aparelho urinário, podendo gerar infecções nos rins. Além disso, segurar o xixi pode provocar dilatação dos rins.
De acordo com Maurício, é ideal que se vá ao banheiro a cada três ou quatro horas. Para isso, procure consumir bastante água ao longo do dia. E lembre-se: após urinar, passe o papel sempre no sentido da vagina para o ânus, evitando que detritos sejam levados do reto à vagina e causem mais infecções.
Vale lembrar que a prevenção dessas infecções evita o uso de antibióticos e outros medicamentos.
FONTE: MdeMulher